Airton Engster dos Santos

quinta-feira, 8 de março de 2018

História de Estrela - pesquisa Roque Schwertner




Roque Schwertner e Airton Engster dos Santos

Retalhos da história de Estrela

Muitas publicações já foram divulgadas sobre o município de Estrela, todas de conhecimento e estão em livros, reportagens e crônicas; contudo, outras estão quase esquecidas. O nosso conterrâneo, jornalista, radialista, escritor, advogado, político, poeta, professor e patrono da Alivat, NILO MIRANDA RUSCHEL (1911-1975), publicou uma série de crônicas no jornal Correio do Povo, nos anos 60 do século passado, todas alusivas ao nosso município. 
Com sua verve de escritor e sensibilidade de filho da terra, registrava com maestria fatos poucos divulgados de nossa história. 
São várias crônicas-reportagens, das quais faremos um resumo enfatizando o ineditismo dos fatos e tentando revelar a grande paixão deste estrelense por sua terra natal. 
Esta sinopse, que reflete a opinião do autor, está dividida em oito títulos, na seguinte ordem: I – Rio Taquari; II – Fundação do povoado; III – Meios de comunicação e iluminação; IV– Indústria, Comércio, Agricultura – Aspectos sociais; V – A família; VI – Invasão da “Villa”; VII – A República e VIII – Ensino, Saúde e Religiões. 

I – RIO TAQUARI 

“A história de nosso passado é lição para meditar, não para reproduzir” (Alcione Araujo). 

O autor, tendo um rio em seu nome, Nilo, assim descreve o nosso querido Taquari: 
” ...Ele surge na serra geral no planalto e em queda vertiginosa segue indômito e traiçoeiro até o Vale do Taquari, formando uma das mais belas regiões do Rio Grande do Sul. 
Voltando as suas origens ao longo dos tempos, por certo somente as canoas dos índios por ele navegaram. 
Assim teve que esperar muito tempo e com paciência até que viessem com seus lanchões os primeiros povoadores, lá pelos anos 1800. 
Chegando, estes desbravadores se fixaram numa curva deste rio e no alto de um penhasco deram início a formosa cidade de Estrela. 
O rio brincou com a navegação até cansar, e por fim acabou com ela. 
No rio Taquari vivia a grande nação Tape. 
Este povo, infelizmente, foi uma grande fonte abastecedora de nativos preados para serem vendidos aos Portugueses. 
O rio outrora chamado de Tibiquari, teve sua exploração já em 1635 em diversas expedições Jesuísticas, com o fim de estender os domínios das missões do Alto Uruguai.
Em 1760, partindo de Triunfo famílias de Açorianos, sobem o rio e se instalam num outeiro formando assim a cidade de Taquari. 
Foi o ponto de partida das penetrações para regiões mais ao norte do rio. O rio Taquari foi testemunho em 1840 da maior batalha da guerra dos Farrapos. 
Num encontro das forças do marechal imperial Manoel Jorge Rodrigues, com os homens de Bento Gonçalves. A refrega deixou mais de 1.000 mortos nas margens do passo de Taquari. 
Corria o ano de 1911 quando intendentes da região reunidos discutiram os vários problemas existentes no rio. 
Foi acertada, por unanimidade, a remessa de um memorial ao presidente do estado, reclamando a urgente construção da primeira barragem nesta via fluvial. 
Esta obra, de real importância, visava o crescimento das comunidades. Como tudo neste País caminha devagar e sem planejamento de nossos governantes, isto só veio acontecer meio século depois nas barrancas de Bom Retiro do Sul. 
Na crescente vila de Taquari, junto ao Rio, surge a Cia. de Navegação Arnt, fundada por Jacob Arnt. 
Esta iniciativa pioneira veio imprimir vigoroso e decisivo impulso em toda a região do Alto Taquari. 
Sua numerosa frota de barcos e vapores transportava o progresso das cidades ribeirinhas. 
Pode-se dizer, mais uma vez, que a velha Taquari, como mãe extremosa, estendia amparo aos novos filhos que se espalhavam rio acima. 
Outra característica marcante é a sazonalidade do rio Taquari, com suas enchentes e estiagem, como que brincando e afligindo as populações nas suas margens. 
Estas mudanças interferiam na navegação pois dificultavam a chegada aos portos de região. 
É cheia de façanhas e também de tragédias as histórias conhecidas do velho rio. 
Conta-se que certa vez o senhor Jacob Arnt, em época de estiagem, teve que destruir à dinamite uma cachoeira que embargava a passagem dos vapores. 
Com dezenas de homens, e o próprio Jacob à frente, conseguiram o objetivo. 
Mais tarde porém, este pioneiro da navegação fluvial foi surpreendido por uma intimação do Estado para pagar severa multa por este ato de arbitrariedade. 
É do dito popular que numa das tantas enchentes que ocorriam no rio, um vapor teve que ser amarrado às pressas na barranca, anoitecia, pois as águas elevam-se rápidas e perigosas. 
Quando amanheceu o rio recuou ao seu leito, e o barco ficou a seco empoleirado na margem. 
O desmantelar da Cia. de Navegação Arnt, e de outra existentes, ocorreu por puro desinteresse e incúria dos governos com o setor fluvial. 
Com isto os empreendedores foram procurar outros caminhos, e um deles foi o asfalto, com o dispendioso transporte rodoviário. 
Quanto aos vapores, símbolos de uma época, apodreceram ou foram vendidos como ferro velho”. 

II – FUNDAÇÃO DO POVOADO 

“A única e verdadeira história é a que fazemos hoje” (H. Ford). 

“ ...Os que verdadeiramente colonizaram e franquearam ao progresso o município de Estrela foram Victorino José Ribeiro, fundando a colônia, e o Coronel Victor Sampaio de Menna Barreto, criando e dando vida ao povoado. 
Este Coronel foi que em 1874 aportou em Estrela com o primeiro vapor de nome “Demerara”, numa viagem de oito dias desde Porto Alegre. 
Engajado nas forças brasileiras no Paraguai, Menna Barreto alcançou o posto de coronel lutando em várias frentes. 
Com a chegada da família Ruschel, em 1872, Victor Sampaio de Menna Barreto vende o casarão da fazenda a Miguel Ruschel. 
Nos anos seguintes, o coronel mandou construir mais no alto do povoado um novo casarão para sua residência. 
Este prédio veio a ser vendido em 1885 por 16 contos de réis à municipalidade para servir como sede do governo e outras repartições. 
Assim permaneceu até os anos 1950, quando foi demolido e no mesmo espaço foi edificado o novo paço municipal“ 

III – MEIOS DE COMUNICAÇÃO – ILUMINAÇÃO 

“Uma geração que ignora a história não tem passado nem futuro” (Goethe). 

“ ...Um punhado de notícias, um tanto curiosas, nos revelam o espírito de iniciativa da gente estrelense. 
Com o surgimento do tráfego das locomotivas no Brasil, porque não ligar uma linha férrea entre Taquari à Teutonia, no município de Estrela? 
Foi assim pensando que o sr. Antonio Taff, em 1882, consegue dos conselhos municipais concessão para a construção da mesma. 
Sem o capital necessário e a credibilidade de viabilização desta avançada obra, tudo ficou no papel e a região sem ver o trem. 
Nos dias atuais uma linha férrea se aproxima de Estrela (só para lembrar, estamos nos anos 1960) mas viaja a passos de tartaruga, aguardemos”. 
No final de 1890, instalou-se a estação telegráfica e tem como telegrafista o cidadão Carlos de Oliveira Paes. 
Nesta época já funcionava uma agência dos Correios, tendo como responsável o sr. Jacob Müller. Sua nomeação foi algo inédito para a época, pois poucos funcionários nestas áreas eram de origem germânica. 
A iluminação pública em 1886 na vila foi festivamente saudada, quando o intendente Percio Freitas aumentou de 20 para 50 o número de lampiões à querosene. 
Os serviços telefônicos foram instalados no início do século 20. Em poucos anos de vigência, o município já contava com sete estações espalhadas pelos distritos. 
Na vila mais de 100 linhas eram atendidas. 
Era um serviço municipal de eficiência e de grande utilidade para as comunidades. 
Consta nos anais que o município de Estrela foi um dos pioneiros na história das comunicações telefônicas no estado do Rio Grande do Sul.” 

IV – INDÚSTRIA – COMÉRCIO – AGRICULTURA – ASPECTOS SOCIAIS. 

“Não devemos repetir a história, mas fazer uma nova história” (Gandhi). 

“ ...Com o crescimento da vila bem com de todo o município nos segmentos, indústria, comércio e agricultura. 
Surge a rede bancária com a instalação de uma agência do banco de Província, que ficou confiado à empresa Dexheimer, Müssnich & Cia. 
Em 1912 chega o banco Pelotense, entregue aos cuidados de meu pai (Pedro Alberto Ruschel). 
Na área rural o que destaca é a grande diversificação de suas culturas: cereais, laticínios, suínos, estes com projeção nacional. 
O parque industrial é referência por sua multiplicidade de empresas, e volumes de produção. 
É destaque também o crescente impulso do comércio, não só pelas variedades de ofertas, mas também pelos crescentes números de novos e modernos estabelecimentos. 
Estes segmentos econômicos, no longo dos tempos, sempre foram um poderoso fator de desenvolvimento, carreando riquezas e um bom padrão de vida aos estrelenses..”. 
Como num desabafo, o autor reflete sua opinião sincera sobre o êxodo rural, que já estava ocorrendo na época: 
“ ...Três fatores de ordem social e econômica vieram causar profundo abalo nas famílias coloniais: a divisão da propriedade, o serviço militar e o caminhão. 
As terras recebidas ou compradas ao se instalarem as famílias, ao longo do tempo, foram sendo subdividida. 
Em função de seus numerosos filhos, cada vez mais as porções de terra ficavam menores. 
As novas gerações, pelo fatalismo do minifúndio, migraram para as cidades e também para novas colônias que começavam a surgir no norte do estado e também no oeste de Santa Catarina e Paraná. 
Sabe-se que grandes contingentes de estrelenses fundaram prósperas colônias nestas regiões. 
O serviço militar, por motivos óbvios, faz com que o jovem não regresse para o meio rural. 
Os filhos dos colonos tem uma forte tendência, depois de sentir os efeitos da cidade, de não voltar a viver como antigamente. 
O agricultor, quando tem boa safra, troca a velha carroça pelo caminhão. 
Primeiro para atender seus propósitos, em seguida passa a transportar a produção do vizinho e por último constata que o transporte dá mais lucro e vantagens do que a agricultura. 
O que acontece é que fatalmente quem vai conduzir estes veículos são justamente os filhos dos agricultores. 
São mãos que jamais trocarão o volante pela enxada. 
A nação necessita acima de tudo de agricultores, sejam grandes ou pequenos, pois prioritariamente todo o resto é consumidor. 
Ainda falta ações de governo nas políticas agrárias, (comunicações, estradas, logísticas) que devem ser encaradas com maior seriedade”. 

V – A FAMÍLIA. 

“As histórias contadas pelos nossos antepassados são lições de vida que o tempo não apaga” (Anônimo). 

O autor nos relata, com grande emoção e riqueza de dados, a influência de sua família no contexto socioeconômico na formação do município de Estrela: 
“ ...O clã dos Ruschel chegou a Estrela em 24 de Agosto de 1872, vindo da região de Feliz (Rs). 
Os descendentes do patriarca Sebastião Ruschel, de numerosa prole, que se fixaram no nascente povoado foram: Miguel, Matias (meu avô), Nicolau, Pedro, Catarina e Maria. 
Um fato que distingue desde logo os Ruschel dos demais imigrantes germânicos foram suas propensões para o comércio, indústria e outras atividades, poucas ligadas à agricultura. 
O casarão de fazenda de Victor Sampaio de Menna Barreto, adquirido por Miguel Ruschel, ficou então conhecido como a Casa dos Ruschel. 
Foi neste prédio que Miguel estabeleceu sua venda (comércio). 
No mesmo local fez funcionar uma atafona, um matadouro, uma estalagem e uma cervejaria. 
O local serviu também como escola, sede de sociedade, correios, foro, cadeia e hotel. 
Os Ruschel da fase pioneira também assumiram diversas atividades econômicas de vanguarda, tais como: dotando a vila de energia elétrica, fábricas, moinho, desenvolvimento fluvial com mais lanchas e vapores. 
Neste alvorecer do povoado e na ausência de bancos faziam muitas vezes o papel dos mesmos. 
Disponibilizavam recursos para outros comerciantes e industrialistas que aqui aportavam. 
Quando a intendência apertava-se de numerário era a eles que recorria. 
Não eram bancos, pois estes só chegaram à Estrela no início do século 20, mas como cidadãos viam uma maneira de contribuir para o crescimento da comunidade que os abrigava. 
O município de Estrela, por muito de suas famílias, era um prolongamento do município de Taquari. 
A afinidade de costumes logo se fez sentir no crescente povoado. 
Mesclava-se os “Kerbs” com as festas da “Jardineira e a dos Reis Magos”. 
Os casamentos dos filhos, nas festas e nas relações de negócios, eram constantes. 
De certo modo, talvez pela dificuldade do idioma alemão, constituíam dois grupos à parte, mas socialmente o entrelaçamento perdura até o presente. 
Meus ancestrais eram de Taquari. Pelo lado materno: Senhorinha Gomes da Silva, Cristina Porto Bittencourt, bem como Manuel Freitas Bittencourt e Antônio Gomes da Silva”. 

VI – INVASÃO DA “VILLA”. 

“Bonita ou não, sofrida ou não – É a nossa história” (Anônimo). 

“ ...Os anais nos descrevem que o município de Estrela foi invadido e pilhado por três vezes na revolução de 1893. 
Era intendente nomeado o Coronel Joaquim Alves Xavier. 
Com o agravamento dos acontecimentos políticos em todo o estado, o Coronel Xavier convoca o conselho de forma extraordinária para deliberar como defender a Villa, pois grupos federalistas armados invadiam a região. 
Foi então resolvido criar, às pressas, um comando especial de moradores voluntários para resistir, mas a quem confiar? 
Comando e força para defender não havia, pois poucos eram os voluntários. 
Foi lembrado o nome de um Taquariense legalista de nome Antônio de Freitas Bittencourt, chegado há pouco tempo à Estrela. 
Este aceitou o desafio e logo foi investido no comando da guarda municipal no posto de sargento. 
Era um momento de pânico e um salve-se quem puder na Villa. 
O próprio intendente desaparece, bem com os funcionários e boa parte da população. 
Ficou nos registros que alguns escaparam vestidos de mulher. 
Diante dos fatos, o Sargento Antônio de Freitas Bittencour levou a sério a sua missão junto com um punhado de valentes que se entrincheiram na intendência para o que desse e viesse. 
Em 27 de Maio de 1893, às 10 horas, os rebeldes invadiram a Villa e atacaram o paço municipal num ruidoso combate com tiros e armas brancas. 
Nesta refrega tombam, de ambos os lados, mortos e feridos e junto aos mortos se encontra o valoroso Sargento Bittencourt, que perdeu assim heroicamente, como soldado da legalidade, sua vida. 
Este Taquariense, que chegou a Estrela à procura de trabalho para o sustento de sua família converteu-se, pelo sangue derramado, em cidadão eterno de Estrela. 
Hoje percorrendo a cidade, em que tantas gerações passaram, nada lembra o seu feito e seu nome. 
Em 1884, os registros nos dão conta que ocorreram mais duas invasões à “VILLA” todas repelida pelos legalistas bem armados e orientados”. 

VII – A REPÚBLICA. 

“Quanto mais se tem histórias, mais se leva algo para a vida” (Wagner Luis). 

“ ...A proclamação da república (15/11/1889) foi vivamente comemorada no município, em especial no conselho (Câmara). 
Recebida a informação do evento, foi arriado do pórtico no paço municipal o escudo e armas do Império e ato seguinte foi hasteado o pavilhão de 35, na falta de outro símbolo nacional, pois esse foi lembrado por ter íntima ligação histórica com o município de Estrela. 
Um fato pouco conhecido, para nós, estrelenses, ocorreu quando desta mudança de regime no país. 
Os documentos nos revelam que o major Solon Sampaio Ribeiro, filho do Coronel Victorino José Ribeiro, fundador da colônia de Estrela, teve destacada participação neste momento histórico. 
O Major Solon nasceu em Porto Alegre, mas se criou e passou boa parte da sua juventude na fazenda do pai. 
Este destemido militar, que fazia parte da linha dura pró-república, foi indicado pelos companheiros de farda a enfrentar o Imperador e entregar-lhe a carta declarando a república proclamada e que sua alteza estava deposto. 
Foi também um dos mais destacados militares nos dias pré-15 de Novembro. 
Em 1903, pela primeira vez, o nosso município recebeu a visita de um governante estadual republicano, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros. 
Na recepção desta autoridade, a menina Ricota fez a saudação. 
Era filha de Antônio Freitas Bittencourt; ela, ano mais tarde, veio a casar com o cidadão Pedro Alberto Ruschel, que resultou, entre outros, o autor destas linhas”. 

VIII – ENSINO – SAÚDE – RELIGIÕES. 

“Deus permite os acontecimentos, mas nós somos que escrevemos nossa história” (Mc Catra). 

“ ...A comunidade de Estrela, desde sua formação, apresenta como traço marcante o anseio pelo ensino e pelo progresso. Logo que instalados os colonos já reclamavam professores para os seus filhos. 
Revendo a história, constata-se que em 1871 existiam aulas (escolas) na sede e nas picadas. 
Os próprios moradores, por suas iniciativas, eram os que a contratavam os educadores (Lehrer), em geral em língua alemã. 
Impulso maior tomou o ensino com a instalação, em 11 de Setembro de 1896, de um colégio grandioso sob o comando das irmãs Franciscanas, o Santo Antônio. 
Com esta tradição de ensino, o município de Estrela recebeu a galardão de mais alfabetizado do Brasil. 
Hoje na rede pública e particular de ensino constatamos modelares escolas, todas com boa infraestrutura e elevado grau educacional, orgulho dos estrelenses. 
A vanguarda do ensino em Estrela sempre esteve presente, pois em 1904, como um visionário, o intendente Francisco Ferreira de Brito, pelo ato nº 89, sugeriu a criação no munícipio de uma escola agrícola, algo inédito do Rio Grande do Sul. 
Infelizmente a ideia não vingou por falta de professores na área técnica. 
A saúde, nos anos 1870 em Estrela, como na maioria das comunidades do Rio Grande do sul, era precária e assistida pelos boticários, práticos na área e curandeiros. 
O farmacêutico Geraldo Snel, vindo da Holanda em 1873, fixou-se no distrito de Teutonia com uma botica (Apotheke). 
Dois anos após, instalou-se na cidade de Estrela com a família. 
Em 1911, um de seus filhos, Alexandre, formado pela Faculdade de Medicina em Porto Alegre, começou a clinicar na vila. 
À procura de novos conhecimentos e especialização foi à Europa. Em hospitais da Alemanha teve seus conhecimentos ampliados. Ao regressar para sua terra natal, trouxe consigo o primeiro aparelho de Raio X, algo pioneiro na região. 
Não havendo conhecimento dos meios de proteção para com a inovação, o Dr. Alex, como era chamado pelo povo, veio a ser vítima desta novidade, tornando-se assim um mártir da medicina. 
A tradição médica da família Snel teve prolongamento com os Drs. Ito, Telmo e Eduardo. 
Nos finais do século 19 e início do século 20, Estrela passou a ser referência em saúde, com a instalação das clínicas do Dr. Schlater, Dr. Campelli, Dr. Lemberger e Dr. Welcke. Com a falta de hospitais, os pacientes eram atendidos nas clínicas e após alojados em hotéis e pensões (na época, a sede do município contava com mais de 10 estabelecimentos do gênero). 
Os enfermos eram carregados em padiolas pelas ruas da cidade, num vai-e-vem trepidante. 
No que diz respeito aos cultos, sempre houve respeito mútuo entre os numerosos fiéis católicos e protestantes. 
Os povoadores alemães, principalmente, sempre foram de uma acentuada religiosidade. 
Missas e cultos aos domingos eram sagrados e com certa pompa, onde sempre se vestia com a melhor roupa. 
Homens e mulheres, cada um no seu lado, dentro do templo até o final do ofício. 
Era tradicional na saída das celebrações uma banda executar músicas adequadas para a ocasião”. 

ORGANIZAÇÃO E PESQUISA, LUIZ ROQUE SCHWERTNER – EMPRESÁRIO e SÓCIO DO IHGVT.

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